CANGURU SEM FRONTEIRAS
Matemática é muito difícil....
Eu detesto Matemática...
Expressões ouvidas no cotidiano de muitos professores e ditas por muitos estudantes... Totalmente verdadeiras... dirão alguns....
E, concepções certamente difíceis de serem mudadas.... concordarão outros....
Foi no sentido de se buscar uma nova concepção sobre a Matemática que surgiu uma competição diferenciada: o Canguru sem Fronteiras.

UM POUCO DA HISTÓRIA DESSA COMPETIÇÃO

Em 1992, os responsáveis pelas delegações européias da Olimpíada Internacional de Matemática (IMO) receberam um convite para participar, em Paris, no Liceu Luis le Grand, de uma reunião cujo objetivo era tentar organizar, em toda a Europa, um concurso de Matemática que naquela época já era bastante popular na França e que levava o curioso nome de Kangourou sans Frontières (Canguru sem Fronteiras).
Os objetivos desse concurso eram (e continuam sendo) muito diferentes daqueles das olimpíadas tradicionais, pois se tratava de popularizar a Matemática, organizando um concurso que não buscasse a excelência, como no caso das olimpíadas, mas que, ao contrário dessas, buscasse que todos os alunos participantes, inclusive aqueles não considerados brilhantes em Matemática, se divertissem resolvendo problemas de Matemática.
Dessa reunião participaram os responsáveis por algumas delegações de países que tradicionalmente obtêm bons resultados na IMO, como, por exemplo, a extinta URSS, a Alemanha e a Hungria.
Naturalmente, a idéia foi imediatamente considerada excelente por todos os presentes e com isso estava dado o “pontapé inicial” do concurso nos outros diferentes centros europeus.
Um ano depois (em 1993) em Strasburg se contituiu de maneira oficial a Associação Internacional Kangourou sans Frontières, encarregada da gestão, em nível internacional desse concurso e da qual fazem parte os representantes nacionais dos outros países participantes. Desde então o concurso se realiza anualmente em vários países europeus e também em alguns países americanos.

PORQUE CANGURU SEM FRONTEIRAS?

Em 1988, a IMO aconteceu na Austrália e o Prof. Peter J. O'Halloran, organizador desse evento, percebeu que no Concurso Nacional Australiano, em que os alunos deveriam responder a uma vasta lista de questões de múltipla escolha, sem precisar sair de suas escolas, os estudantes mais jovens haviam obtido um sucesso extraordinário.
Através dessa proposta, os introdutores do concurso na França, os professores Andrè Deledicq e Jean Pierre Boudine, adaptaram o nome para Kangourou des Mathèmatiques como uma homenagem ao Prof. Peter J. O'Halloran, tão prematuramente desaparecido.
Com isso, o nome ganhou fama na Europa e desde então o Canguru se tornou o maior concurso matemático do mundo, sendo que em 2003 participaram dele mais de 1.800.000 estudantes europeus e americanos, visto que por indicação do Prof. Francisco Bellot Rosado (representante espanhol desse concurso) foram incorporados México (em 2000), Brasil (em 2001) e Venezuela (em 2001) e, com isso, a chance de se aumentar o número de participantes no futuro são enormes.

A ESTRUTURA DO CANGURU SEM FRONTEIRAS

As provas dessa competição são distribuídas pela faixa etária dos participantes da seguinte forma:
• Nível 1 – 10/11 anos
• Nível 2 – 12/13 anos
• Nível 3 – 14/15 anos
• Nível 4 – 16/17 anos
• Nível 5 – 18 anos

Esses nomes já são adaptações para o Brasil, pois na França, eles correspondem, respectivamente, aos níveis Ecolier, Benjamin, Cadet, Junior e Etudiant.
O tempo de duração da prova é de 75 minutos e ela consta de 30 questões de múltipla escolha, para os níveis 2, 3, 4 e 5; sendo que para o nível 1 temos apenas 24 questões.
Considerando uma prova com 30 questões, elas são distribuídas em três níveis de dificuldade e de pontuação, conseqüentemente. Assim, as 10 primeiras questões, consideradas fáceis, valem 3 pontos cada uma, as 10 seguintes, consideradas médias, valem quatro pontos cada uma e as 10 finais, consideradas difíceis, valem cinco pontos cada uma. Para o nível 1, a distribuição de pontos é a mesma, mudando-se apenas para oito questões fáceis, oito médias e oito difíceis.
Não é permitido o uso de calculadores e os participantes devem trabalhar individualmente.
Se uma pergunta não é respondida ela vale zero pontos, mas se ela é respondida erradamente o participante é penalizado com 1/4 dos pontos que corresponderiam se a pergunta fosse corretamente respondida. Para que nenhum participante obtenha pontuação negativa ao final da prova, todos começam com 30 pontos.
Os critérios que se utiliza para resolver possíveis casos de empates na pontuação final são os seguintes: 1. quem respondeu a pergunta cujo número de ordem é o maior, pois elas são ordenadas por grau de dificuldade 2. se o critério (1) não se aplica, o que ocorre quando os participantes responderam corretamente a todas as perguntas, ganha o mais jovem; 3. se o critério (2) também não solucionar o problema, só resta a alternativa do sorteio.
As perguntas são selecionadas em uma reunião internacional, realizada a cada ano em um país diferente, normalmente em outubro/novembro e são as mesmas para todos os estudantes em cada faixa etária, respeitando-se as devidas traduções e adaptações para a língua mãe de cada país.
Apesar do calendário escolar brasileiro ser distinto do europeu, a prova deve ser aplicada em um mesmo dia para todos os países participantes, caso, por qualquer razão isso não seja possível, é permitido realizá-la durante o período de um mês após a data oficial. Para que não ocorra perda do sigilo, há um compromisso entre todos os países participantes de não se divulgar nem as questões, nem as respostas, antes desse prazo.
A todo participante é entregue um diploma de participação e podem ser distribuídos outros prêmios de acordo com critérios estabelecidos pelo comitê organizador de cada país, mediante suas possibilidades financeiras. Na maioria dos países participantes, com o objetivo de se obter fundos para essas premiações e também para os custos de reprodução do material impresso, os estudantes participantes pagam uma taxa simbólica de inscrição (em alguns países ela corresponde a dois sorvetes tipo picolé, por exemplo).

A 1ª. OLIMPÍADA BRASILEIRA DO CANGURU SEM FRONTEIRAS

No Brasil, como ainda não temos uma sociedade que gerencie este concurso matemático, para esta primeira edição, não será cobrada taxa de inscrição, uma vez que estamos contando com o apoio da OBM e de diversas escolas que, com recursos próprios, estarão realizando a impressão das provas.
Quanto à correção das folhas de respostas, como ela deve ser centralizada, também estamos contando com o apoio de diversas instituições que estarão disponibilizando leitoras óticas para essa finalidade.
Este ano, dada a premência de tempo, realizaremos a prova somente para alunos do Nível 2 (12/13 anos) no dia 17 de abril, em horário e locais que serão posteriormente divulgados.
Lembrando sempre da filosofia desta competição, que visa incluir todos que quiserem dela participar, estamos abertos para receber a adesão e a colaboração das escolas/professores tanto de escolas públicas, quanto de particulares.
Assim, podemos dizer que a filosofia do Canguru sem Fronteiras poderia ser descrita como: ...não sou de ninguém.... eu sou de todo mundo.... e todo mundo é meu também... (Tribalistas, 2002)
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  • LE KANGOUROU DES MATHÉMATIQUES
  • CANGURU SEM FRONTEIRAS - ESPANHA
  • OLIMPÍADA BRASILEIRA DE MATEMÁTICA
  • TEOREMA
  • REPRESENTANTE DO CANGURU SEM FRONTEIRAS NO BRASIL


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